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Plano de erradicação da Rinotraqueite infecciosa Bovina através do uso sistemático de vacinas vivas marcadas


28 Novembro 2006

Introdução

O HerpesvirusTipo 1 (BHV-1) é um vírus que provoca a Rinotraqueite infecciosa bovina (IBR), vulvovaginite postular infecciosa (IPV) e a balanopostite postular infecciosa (IPB). O IPV já foi descrito no século 19, porém os sinais clínicos do IBR não foram observados até á primeira descrição nos anos 50 nos USA. A 1ª referência ao IBR na Europa teve lugar na Alemanha nos anos 60. O desenvolvimento de vacinas vivas e inactivadas teve como consequência óbvia obter o controlo do vírus em explorações infectadas, mas somente nos anos 90 foram desenvolvidas as vacinas marcadas que vieram tornar mais possível e eficaz a erradicação do BHV-1 dessas explorações.

Características do vírus
BHV-1 é um vírus ADN em que foram identificados 2 subtipos BHV-1.1 e BHV-1.2. Estes dois subtipos são responsáveis pelo IBR ou IPV/IPB.

Nas proteínas estruturais do BHV-1 foram identificadas pelo menos 9 glicoproteinas transo -membrânicas. Para além de estarem envolvidas em diversas interacções virus-células, também apresentam um papel importante com o sistema imunitário do hospedeiro. Algumas glicoproteinas tais como a gB, gD e provavelmente gH, gK e gL são essenciais para a replicação do vírus Pelo contrário glicoproteínas gC, gG, gI e gE não são essenciais para a replicação do vírus.

Após a infecção com o BHV-1 estabelece-se latência nas células neurais dos gânglios sensores que enervam a mucosa no local da inoculação. O sistema imunitário não é capaz de eliminar o vírus latente e pode ocorrer reactivação mais tarde em qualquer momento da vida do animal como consequência de situações de stress (infecções pós-transporte …). Desta forma qualquer animal infectado deve ser considerado como potencial excretor de BHV-1.

A doença 
A transmissão do vírus dá-se essencialmente através do contacto com animais que excretam o vírus. Transmissão por Aerossol, sémen, transferência embrionária e material contaminado, são outras formas possíveis de transmissão.

A introdução do vírus em explorações livres resulta numa disseminação extremamente rápida da infecção e morbilidade varia entre 20% e 100%. O nível de mortalidade é muito variável e pode atingir mais de 15%. A infecção aguda por BHV-1 é caracterizada por febre, depressão perda de apetite, hipertonia da mucosa, lesões da mucosa e descarga nasal e ocular. Por vezes pode ocorrer a infecção Subclinica em animais prenhes resultando em aborto. 

Vacinas Marcadas e testes de diagnóstico
As vacinas marcadas disponíveis comercialmente estão baseadas da delecção da gE. A vacinação de bovinos com estas vacinas marcadas não induz anticorpos contra gE enquanto que as estirpes do vírus de campo induzem uma resposta de anticorpos positivos contra a gE.

A utilização e o êxito das vacinas marcadas depende da existência de testes de diagnóstico fiáveis para poder avaliar os resultados dos programas de erradicação. Existem actualmente dois tipos de testes ELISA para o BHV-1. O 1º tipo detecta a presença de anticorpos contra a gB, e sendo assim estes testes não conseguem diferenciar entre infecções de campo e a vacinação quer com vacinas marcadas e não marcadas. O 2º detecta anticorpos contra gE tornando possível a diferenciação entre infecções de campo e a vacinação com uma vacina marcada. 

Quer os anticorporpos gB e gE podem ser medidos no soro e no leite. Os gB são detectáveis entre os dias 11 e 42 após a infecção enquanto que os anticorpos gE são detectados 2-3 semanas mais tarde.

Glicoproteína E

  • Parte não essencial do virus
  • Glicoproteinas implicada na transmissão célula a célula.
  • Factor de virulência do vírus.
  • É imunológica porém não necessária para a protecção do animal vacinado.
  • gE– é estável in vivo

Erradicação 
Em alguns países a prevalência do BHV-1 é muito elevada e a eliminação dos animais devidos a animais positivos BHV-1 não é economicamente possível. Em países com animais com elevadas seroprevalências não é possível erradicar a doença sem utilizar vacinas marcadas. 




João Cannas da Silva
Prof. Dr. Med. Vet. PhD. Dip ECBHM, AVC
Director técnico Intervet Portugal
Marketing Ruminantes