Doença de Gumboro (Bursite Infecciosa) - Como controlar?
6 Novembro 2006
A D. Gumboro constitui, actualmente, o principal quadro patológico e consequentemente, com impacto económico negativo, a nível da produção da carne de frango. O seu impacto a nível das galinhas poedeiras e reprodutoras reveste-se de maior gravidade, por razões óbvias, embora com uma taxa de ocorrência muito menor.
Apesar da enorme sensibilização demonstrada por todos os agentes actuando naquele sector, a situação encontra-se, para já, longe de estar controlada.
Tratando-se dum quadro clínico e zootécnico que varia desde as situações perfeitamente evidentes (quadros clínicos agudos) a outros mais discretos (forma clínica sub-aguda), não passa, contudo, despercebido a ninguém, pois o seu grau de manifestação reflecte-se sempre a nível das performances dos bandos, com evidentes prejuízos económicos.
Talvez por isso, a preocupação com o controlo da D. Gumboro, constitui uma das principais preocupações dos responsáveis e técnicos avicolas.
A principal forma de controlo da D. Gumboro passa obrigatoriamente pela imunização das aves, com principal ênfase nas primeiras 6 semanas.
Esta imunização apresenta duas formas distintas e complementares, na grande maioria dos casos: imunização passiva e imunização activa.
A imunização passiva, consiste na aquisição, por parte dos pintos e pintas do dia, de imunidade por via maternal, através da vacinação das galinhas reprodutoras, que por sua vez, transmitem essa imunidade, na forma de anticorpos circulantes, à sua descendência. Esta imunidade adquirida de forma passiva, por via maternal, que vai decrescendo, de forma gradual com a idade das aves, assegura a protecção dos pintos e pintas, por um período mínimo de 2 a 3 semanas.
Actualmente, o facto de se produzirem pintos de lotes de reprodutoras, com idades muito diferentes, associado ao facto de se juntarem pintos de proveniências muito dispares, conduzem a uma população global de pintos com imunidade adquirida de origem maternal com alguma heterogeneidade, mas sempre elevada, garantindo a protecção, na grande maioria dos casos, até às 2 semanas de idade.
Actualmente e para agravar a situação daquele universo de pintos, têm surgido pintos provenientes de galinhas reprodutoras não vacinadas. Estas galinhas, pelo facto de não serem vacinadas, não significa que não transmitam imunidade passiva à sua descendência. Está provado que aves adultas não vacinadas, possuem níveis de anticorpos circulantes, mas com enorme irregularidade, o que, pelo facto de não serem vacinadas, fazem reflectir aquela heterogeneidade á sua descendência.
O facto da protecção maternal apenas prevalecer até cerca das 2/3 semanas (por vezes até mais tarde), reveste-se de primordial importância reforçar a imunidade dos pintos.
A imunidade activa, consiste na imunização resultante da vacinação da própria ave. No entanto a eficácia desta vacinação implica o rigoroso cumprimento de vários factores:
- Identificação da estirpe viral (em Portugal tem ocorrido a forma clássica - IBD, embora podendo aparecer uma forma mais agressiva – vvIBD, mas sempre da estirpe clássica. Não isolada estirpe variante antigénica)
- Vacinação das aves em altura susceptível à vacinação (níveis altos de imunidade maternal podem neutralizar a vacina, o que implica análises serológicas para determinação do nível da imunidade maternal e posterior data de vacinação)
- Adopção correcta do tipo de vacina a aplicar (nos casos de risco de ocorrência da forma mais agressiva do vírus – vvIBD, há que optar por uma vacina menos atenuada, mais resistente à imunidade maternal, pois ter-se-á que vacinar mais cedo do que com as vacinas ditas normais ou intermédias)
- Adequação do plano vacinal, posicionando a (s) vacina (s) de forma a abranger a maioria das aves, tendo em conta a imunidade maternal das aves.
- Administração correcta da vacina, desde a sua preparação até à sua incorporação pelas aves (tempo da administração não superior a 2 horas, água adequada, fornecimento a todas as aves, etc)
O não cumprimento de alguns destes últimos parâmetros tem funcionado como resistência à forte disponibilidade (financeira) demonstrada, actualmente, pelos avicultores com a vacinação maciça de frangos contra a D. Gumboro.
Tem ocorrido situações em que o avicultor assume como resolução do problema o facto de proceder à vacinação, o que mais tarde vem a resultar em desapontamento, pelo (s) incumprimento (s) atrás referido (s).
Assim importa acentuar que a decisão de vacinação não é o único procedimento para controlar a D. Gumboro, mas sim a primeira etapa de várias, como já descrito.